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sábado, 5 de dezembro de 2009

Par(encharc)ada

Eu acordo todos os dias coberta por um charco feito de lodo e de lama. Ele cresce durante o tempo em que me perco nas ondas da beleza, que são como um reflexo fascinante no meio de uma poça d'água depois que se joga nela um cristal. É o dia gotejando dentro dos sonhos.
O problema não é sonhar, mas ficar parada com a minha grande falta de estima (por eu mesma) bem na frente do caminho do sonho. Então eu acordo fria e cinzenta, sem nenhum ardor, nenhum desejo, nenhum objetivo ou caminho a seguir. Eu acordo parada - E é assim que nasce o charco.
Me dói tanto essa confusão! É como uma pedrinha de areia plantada na minha vista, e eu não sei como tirar (aliás, estou parada demais pra poder tirar).

Carrego uma pergunta, bem aqui:
- O que é que vence essa confusão?

sábado, 21 de novembro de 2009

O tal do Eros Platônico...



Sinto falta dele o tempo todo. Como a terra seca sente falta da água, como as minhas bochechas pálidas sentem falta do rosado que vem com o seu raio de sol.
Sinto falta desse infinito de luz, de felicidade, de justiça, de certeza.
Até tentam copiá-lo em filmes, livros, em algumas músicas.
Mas o meu coração não se deixa enganar.
Ele não é uma pessoa.
Apesar disso eu vejo o seu rosto, mais vivo do que nunca, todos os dias.

sábado, 10 de outubro de 2009

Manhã



Ah, como é a sensação de dar-se conta que já é dia, abrir os olhos e não te ver, meu amor! Sei que está em casa, ontem mesmo estava ao meu lado... Por quê se esconde?
De vez em quando me dizem que eu sou assim desse jeito porque sou pura. Dizem isso porque são bondosos. Mas eu penso que o meu coração não é totalmente puro. Se eu tivesse o coração puro eu saberia o que resolver. Você sempre está aqui, mas eu te ignoro como se fosse a parede do quarto, ignoro os teus presentes, teus carinhos. Dou por óbvio os teus sinais, no desespero pra te encontrar, pra te manipular.
Quando finalmente a razão aparece, o relógio se agita e o coração volta a bater, vejo que não há outra coisa a fazer a não ser um pedido, empenhar todo o meu eu numa prece. Vem, me ajuda! Vem em meu auxílio! E de repente você está lá, nunca saiu do meu lado, tão verdadeiro, tão real. Como pode ainda assim sentir compaixão de mim e me perdoar, eu que duvido de você o tempo todo? Sempre me surpreende esse perdão absurdo, onde não há trocas, que não me culpa, apenas me ama. Você sabe melhor do que ninguém que eu não faço essas coisas por Tua falta, mas por falta de mim mesma.
E nesse processo de procurar-te e ser encontrada há uma delícia requintada, diferente. É descobrir o prazer da vida, o gosto de respirar - e isso não se trata de um jogo ou artimanha de minha parte. Faz parte do próprio despertar.


Desculpem a demora pra postar. Mas tô estudando muito, é pouco tempo livre e muita informação na minha cabeça. Tá difícil organizar os pensamentos.
Um grande beijo!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Moça na janela


Como corre essa vida! Cheguei na janela pra mandar ela parar um pouquinho. Sentir o sol deslizando pelos poros, o ar um pouco menos abafado, os pensamentos menos apertados. Coisa de moça na janela.
Eu tenho viajado muito, pra muito longe. Me apaixonei pelos vilarejos da Itália, vida simples, ruas apertadas, campos, dias longos, histórias, tinha muito eu ali dentro. Vontade de passar mais tempo lá, mas as aulas perdidas estavam me chamando.
Depois foi uma correria só. Nem quando voltei pra cá, pro meu cantinho no Rio, tive a paz pra organizar o turbilhão de dúvidas que estão me corroendo. Nessas horas eu sou toda caquinhos. Odeio ficar confusa, mergulhada na escuridão que até me parece muito doce. Quero verdade, clareza. Abro mão do resto, e nesses momentos de busca de certeza toda a doçura que antigamente parecia tão boa vira esterco. Ilusão.
Moça na janela faz o sorriso do céu ficar mais azul... ele sempre me pede pra perguntar ao meu coração, deixá-lo sorrir de volta. Seguir o meu coração, é isso que eu sempre faço.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Para meu Petit Ami


http://poorsailor.blogspot.com/

Às vezes recorro ao teu abrigo...
Abrigo no teu olhar brilhante - As minhas estrelas!
Abrigo nas tuas ralhas, me ensinando a não dizer o que não deve ser dito.
Abrigo no teu silêncio que não me cobra nada.
Abrigo em ficar debaixo das tuas asas. Abrigo quieto, de passarinho.
E de pouco em pouco, me levaria para ver o céu. Dar um beijo nas continhas de luz. Sei que não posso despejar em você a responsabilidade de me fazer feliz. Nem deveria, você não tem esse poder.
Mas sua menina-passarinha, isso eu poderia ser.




[Obs: Odeio regência. ¬¬']

domingo, 9 de agosto de 2009

Esses dias especiais


Esses dias especiais na vida da gente... dias que falam por si só. Minha relação com eles sempre foi muito conturbada, não porque eles mudam o gosto das coisas, isso é até bom pra nos acordar do tédio em que vivemos, mas exatamente por esses dias serem protagonistas por si só. Eu me sentia muitas vezes jogada pro lado de fora e ficava a espiar o dia passar por uma vitrine.

Amanhã é um grande dia especial. Além de ser dia dos pais, é a minha crisma. É importante renovar a minha identidade e dizer o meu sim à Pedra Angular de toda a minha vida. Como é o primeiro ano sem o meu avô paterno, também é um dia dos pais importante. Quero fazer meu pai mais feliz.
Um amigo meu disse hoje que na vida a gente não muda, a gente aprende. É verdade. Sei que apesar dos meus 16 anos, ainda penso da mesma forma que a criança de uns anos atrás. Então resolvi preparar um grande presente para o meu pai numa grande caixa. Comprei balas, fitas, uma camisa, uma caneta gravada com o nome dele e um caderno cheio de recadinhos e desenhos nossos. E não esquecendo, um cartão muito lindo. Eu e minha irmã montamos o presente, com um grande laçarote em cima. Amanhã bem cedinho, quando ele sair de casa, a gente enfeita o quarto com balões e cartazes, deixa o presente em cima da cama e se esconde. Me dá uma onda de ansiedade só de pensar em aprontar todas essas artimanhas.
De noite, vamos estar todos de blusa branca, cara enfeitada e tremidas nos ombros. Amigos, parentes, fotógrafos, padrinhos, curiosos, padres e um bispo, todos fazendo memória. Vai ser especial. Vai ser um dia bonito.

Acho que mesmo que o dia me ponha pra fora, o filme será muito bom de assistir (Mal sabe o dia que a cada dia eu sou mais menina-protagonista).

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eu Canto.

Tenho muita coisa pra contar, tanta coisa que embolou dentro de mim. Preciso de sol, primeiramente, um cantinho bem calmo, chão, caneta preta e meu caderninho na mão. E silêncio. Silêncio é o segredo, silêncio pra ouvir o que minha alma canta, decifrar esse coral e entender a composição. Das coisas, disso que eu encontrei e encontro todos os dias.

Deixo pra vocês uma música. Ainda não é a minha música, mas poderia ser.

Black bird - The Beatles

Blackbird singing in the dead of night Take these broken wings and learn to fly
All your life You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night Take these sunken eyes and learn to see
All your life You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird, fly. Blackbird, fly. Into the light of the dark black night.

Ah, voar, voei. Ah, como eu voei!

Por último, um selinho muito especial de um blog que vale a pena parar para ver. Um beijo para você, Karla. Você é uma flor.